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Como 200 pedaços de barro voltaram a ser uma santa?

Uma noite, um impacto e uma escultura de 36 cm espalhada pelo chão. O que a restauradora fez a seguir emociona até quem nunca foi a Aparecida. ⬇️

A padroeira do Brasil cabe em duas mãos. Com 36 centímetros e 2,5 quilos, a imagem de Nossa Senhora Aparecida atravessou quase três séculos. Numa noite de 1978, ela se partiu em mais de 200 pedaços. O que veio depois, semanas de trabalho paciente num museu, devolveu a santa a milhões de devotos.

O que aconteceu com a santa na Basílica Velha?

Em 16 de maio de 1978, durante a missa na Basílica Histórica, a imagem original foi retirada do nicho e acabou caindo no chão. O impacto fez a escultura se partir em mais de 200 pedaços. A cena provocou comoção nacional e deixou os fiéis com uma pergunta aflita: haveria conserto?

A fragilidade tem explicação. A pequena escultura é feita de terracota, uma forma de argila modelada e cozida. Os fragmentos seguiram, em sigilo, para o Museu de Arte de São Paulo, o MASP, onde a restauradora assumiu a reconstrução.

A restauração da santa quebrada em mais de 200 pedaços – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

Como Maria Helena Chartuni restaurou a imagem?

Com paciência, oração e trabalho ininterrupto, segundo o depoimento da própria restauradora. A artista plástica Maria Helena Chartuni, responsável pelo restauro no museu, conta que não era devota de Nossa Senhora Aparecida naquele momento. Antes de começar, ela decidiu rezar e conversar com a santa.

Num quebra-cabeça de mais de 200 partes, a tarefa exigia paciência a cada peça. Ao terminar, Chartuni relata ter tido certeza de que a santa a havia ajudado.

O trabalho teve data, endereço e um final público. Veja as etapas na linha do tempo abaixo.

Linha do tempo do restauro, de 1978 ao retorno a Aparecida

💥 16 de maio de 1978A imagem original cai ao chão durante a missa na Basílica Velha e se parte em mais de 200 pedaços.

🧩 Cerca de 33 diasMaria Helena Chartuni reconstrói a peça no MASP, em trabalho ininterrupto.

🙏 O retorno da imagemApós a entrega ao museu, a santa volta a Aparecida em um carro do Corpo de Bombeiros, acompanhada por uma multidão de fiéis.

Fonte: Santuário Nacional (A12) e depoimento da restauradora Maria Helena Chartuni.

Segundo a restauradora, foram cerca de 33 dias de trabalho até a entrega da imagem à direção do museu. Depois da restauração, a santa voltou para Aparecida. O próprio Santuário Nacional registra o episódio e a reconstrução da imagem, realizada após ela ser quebrada em mais de 200 pedaços.

Quais são as características da imagem original?

A santa é pequena, escura e feita de barro cozido. Estes são os traços que mais a definem.

- Altura de 36 cm e peso de cerca de 2,5 kg.

- Material: terracota, que escureceu com o tempo e a água do rio.

- Cor morena, efeito do tempo, da água e do uso, que apagaram a pintura original.

- Descoberta em 1717 no Rio Paraíba do Sul por três pescadores, primeiro o corpo e depois a cabeça.

- Autoria atribuída ao frei beneditino Agostinho de Jesus, uma hipótese ainda debatida.

Curiosamente, a imagem de Nossa Senhora Aparecida já havia sido pescada em duas partes. Em 1978, precisou ser reunida outra vez, agora a partir de mais de 200 pedaços.

Quais lugares marcam a história da imagem?

Quatro lugares contam essa história, do rio ao santuário. Cada endereço guarda um capítulo diferente.

- Rio Paraíba do Sul: onde três pescadores encontraram a escultura em 1717.

- Basílica Histórica: cenário do atentado de 16 de maio de 1978.

- MASP: museu que abrigou o restauro e a multidão à espera da santa.

- Santuário Nacional: casa atual da padroeira, que recebe cerca de 12 milhões de romeiros por ano.

Ao longo de três séculos, uma escultura de apenas 36 cm ligou um rio, uma basílica e um museu. Por isso a santa de barro se tornou, para muitos fiéis, símbolo de recomeço.

O que a restauração da santa nos ensina?

Ensina que o que parece perdido pode voltar com cuidado, tempo e persistência. Hoje, no Santuário Nacional, a pequena escultura de barro segue como símbolo de fé para milhões de brasileiros.

Se você já esteve diante da santa, conta nos comentários o que sentiu. E, se for a primeira vez, lembre de Maria Helena Chartuni quando olhar para ela.