A água que despenca nas Cataratas do Iguaçu conta uma história que começa longe das quedas. Quando a chuva engrossa o rio no Paraná, o efeito chega a Foz do Iguaçu: a vazão muda, e uma passarela aberta num dia pode precisar fechar no seguinte.
Entre sábado, 10 de outubro, e segunda-feira, 12, a vazão quase triplicou. Eram cerca de 4.190 metros cúbicos por segundo às 9h de sábado e 11.800 às 7h de segunda, o maior valor registrado em 2026 até aquele momento.
A passarela brasileira da Garganta do Diabo foi fechada às 8h de domingo e permanecia interditada em 12 de outubro. Na segunda-feira, o lado argentino restringiu o acesso aos setores de visitação após o rio superar 12.000 m³/s.
O mapa da bacia explica a subida
Registros históricos: Renan Siqueira Teixeira (esq.) e Gregory Felito, cheia de 2013 (dir.) / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0. Recortes e montagem.
A bacia do rio Iguaçu está quase inteiramente em território brasileiro: 98% dela, contra 2% na Argentina, segundo comunicado da concessionária Iguazú Argentina reproduzido pelo Estadão Conteúdo em agosto. Quando chove forte no Paraná, a água desce pelo rio e a vazão nas quedas sobe rapidamente. Por isso a vazão muda tanto de um dia para o outro.
Foi o que aconteceu. Segundo a Copel, citada pela imprensa de Foz, o fluxo havia caído a 3.770 m³/s na madrugada de sábado e estava em 4.190 às 9h. No domingo, às 8h, já com 8.800 m³/s, a concessionária Urbia+Cataratas e o ICMBio fecharam a passarela brasileira. Às 18h de domingo, segundo o jornal argentino Clarín, o lado argentino media 11.500.
O g1 informou que o parque brasileiro continuava aberto na segunda-feira, com a Trilha das Cataratas e os mirantes acessíveis. Segundo a informação divulgada em 12 de outubro, a reabertura da passarela dependeria de o volume baixar a níveis seguros, sem previsão de nova elevação.
A média de referência é de cerca de 1.500 m³/s, ou 1,5 milhão de litros por segundo. Os 11.800 m³/s medidos em 12 de outubro eram quase oito vezes esse valor. Segundo a imprensa de Foz do Iguaçu, a passarela brasileira costuma ser fechada por precaução quando a vazão supera 8.000 m³/s.
A passarela argentina já vinha sendo desmontada
Não é a primeira vez em 2026. Em julho, a vazão passou de 9.000 m³/s e, em setembro, a passarela ficou quatro dias interditada com mais de 10.000. Mas 11.800 não é recorde histórico: em 2023, segundo o Clarín, o rio superou 20.000 m³/s e arrancou mais da metade da passarela argentina da Garganta do Diabo.
Em 3 de agosto de 2026, a Iguazú Argentina começou a desmontar preventivamente a passarela da Garganta do Diabo, trabalho que levou mais de 40 dias, por prever vazões elevadas em setembro e outubro, com potencial para cheias extraordinárias. O comunicado de agosto previa que a remontagem não ocorreria antes do fim do ano.
Previsão de chuva não é previsão de uma cheia exata
A concessionária argentina associou a previsão de cheias ao El Niño. Nenhum órgão oficial consultado, porém, atribuiu esta cheia ao fenômeno. O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) afirmou em 22 de setembro que há elevada probabilidade de um El Niño de intensidade muito forte no trimestre de outubro a dezembro e que os acumulados de chuva no Sul, incluindo o sul e o leste do Paraná, podem superar a média histórica em até 200 milímetros.
A previsão sazonal não determina a data nem a intensidade de uma cheia específica. Novos fechamentos são possíveis, mas dependem das condições observadas no rio.
As informações sobre vazão e visitação aqui citadas se referem ao período de 10 a 12 de outubro de 2026. A situação da passarela e do parque argentino pode ter mudado; consulte os canais oficiais antes de viajar.
Leia também: Foz do Iguaçu, a cidade onde três países e grandes rios se encontram.


