A crise institucional sem precedentes do Supremo Tribunal Federal (STF) e o embate direto entre dois de seus magistrados é tema de um artigo publicado nesse domingo (13/9) pelo jornal britânico The Financial Times. Segundo a publicação, o imbróglio entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça desestabilizou a mais alta Corte do país e passou a exercer um impacto decisivo nos rumos da eleição presidencial do próximo mês, transformando o Judiciário no principal centro de gravidade da disputa política.No centro da conflagração, ressalta o jornal, está a revelação de supostas conexões entre Moraes — ministro que no ano passado ordenou a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por liderar a trama golpista — e o pivô da maior fraude bancária da história do Brasil, o ex-dono do Banco Master Daniel Vorcaro.“A revelação tornou Moraes um dos pontos centrais do escândalo de corrupção — que ganha proporções cada vez maiores — desencadeado pela quebra, no ano passado, da instituição financeira Banco Master, um colapso que envolveu US$ 10 bilhões”, diz o FT. Leia também Igor GadelhaO pessimismo dos aliados de Mendonça quanto à sessão da terça sobre Moraes Matheus LeitãoFachin anula Mendonça no caso Moraes; guerra por celular de Vorcaro cresce BrasilFachin tira relatoria de Mendonça e assume caso ligado a Moraes e Vorcaro Manoela AlcântaraMendonça atende Fachin e paralisa ação sobre mensagens de Vorcaro e Moraes A reportagem destaca que a crise interna no Supremo atingiu o ponto de ruptura em 1º de setembro, quando o ministro André Mendonça, indocado ao STF por Bolsonaro, tornou público um relatório policial com alegações sobre Vorcaro. O documento indica que o empresário enviou mensagens a Moraes solicitando apoio antes de sua prisão, em novembro passado, além de registrar a ocorrência de múltiplos encontros entre ambos.“Moraes reagiu contra Mendonça — que supervisiona a investigação sobre o Banco Master — acusando-o de abuso de poder e de tomar decisões motivadas por questões políticas. Mendonça, que não se manifestou publicamente sobre o assunto, foi indicado para a Corte por Bolsonaro após ter atuado como seu ministro da Justiça”, diz o jornalInstabilidade institucional profundaO desdobramento judicial lançou densas sombras sobre a corrida presencial de outubro, travada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Segundo o Financial Times, analistas políticos apontam que a magnitude do escândalo provocou uma instabilidade institucional profunda, com potencial para se consolidar como o fator determinante no resultado das urnas.“Trata-se de um escândalo de grande magnitude, que está provocando uma crise institucional muito perigosa e prejudicial à democracia brasileira”, afirmou Leandro Consentino, cientista político do Insper, em São Paulo. “É provável que seja um fator decisivo na eleição presidencial”.Embora o presidente da República não seja alvo de acusações no caso do Banco Master, a turbulência no Judiciário atinge uma área de vulnerabilidade política do líder de esquerda. O episódio explora a memória do eleitorado referente às condenações por corrupção proferidas no passado contra o mandatário, que foram posteriormente anuladas pela própria Justiça.Na arena eleitoral, a oposição busca capitalizar o desgaste da Corte. Flávio Bolsonaro tem tentado tirar proveito da situação ao renovar as exigências pelo afastamento de Moraes, o ministro que condenou seu pai. “Um voto em Lula é um voto em de Moraes”, disse ele a apoiadores na semana passada.Dark HorseO FT, porém, lembra que o filho 01 de Bolsonaro também teve seu nome envolvido no caso, após vir à tona, em maio, a informação de que ele obteve milhões de dólares de Vorcaro, proprietário do Banco Master, para financiar o “Dark Horse”, um filme sobre seu pai, que cumpre pena de 27 anos de prisão.Flávio Bolsonaro insiste que se tratou de um patrocínio privado sem irregularidades e tem tentado desviar o foco do assunto.Apesar dos desdobramentos sobre ambos os lados, pesquisas de intenção de voto apontam um estreitamento na corrida presidencial, indicando empate técnico entre o atual chefe do Executivo e o candidato da oposição.









