Pelo plano, que ainda está em discussão, Alckmin permaneceria como vice-presidente e passaria também a ocupar a chefia da Fazenda

5 out 2026 - 13h06

(atualizado às 13h16)

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- Por: Marcela Ayres e Lisandra Paraguassu, Reuters

Resumo

Após ficar atrás de Flávio Bolsonaro no primeiro turno da eleição presidencial, Lula avalia nomear o vice-presidente Geraldo Alckmin como ministro da Fazenda em um eventual novo mandato. O plano busca recuperar a credibilidade junto ao mercado financeiro e atrair eleitores de centro preocupados com a questão fiscal. Visto como moderado e com trânsito entre empresários, Alckmin acumularia os dois cargos para fortalecer a autoridade econômica do governo e tentar viabilizar uma virada eleitoral.

Lula vota em São Bernardo do Campo (SP)

Foto: Repodução/GloboNews

O presidente Luiz ‌Inácio Lula da Silva (PT) avalia anunciar o vice-presidente Geraldo Alckmin como ministro da Fazenda em um eventual novo mandato, em uma tentativa de reforçar suas credenciais junto ao mercado financeiro e atrair eleitores de centro após a derrota para o senador Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno da eleição presidencial no domingo, disseram duas fontes com conhecimento do assunto.
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Pelo plano, que ainda está em discussão, Alckmin permaneceria como vice-presidente e passaria também a ocupar ‌a chefia da Fazenda no próximo ano, consolidando sua autoridade sobre a política econômica, em um arranjo que lhe daria força por ser visto como alguém que não ‌seria demitido do posto, disseram as fontes, sob condição ‌de anonimato devido ao caráter reservado das conversas.
O Palácio do Planalto não respondeu a um pedido de comentário.
Político veterano de centro-direita que foi quatro vezes governador de São Paulo, e que disputou sem sucesso a Presidência contra Lula em 2006, Alckmin atualmente é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), e se tornou um dos principais interlocutores de Brasília com Washington após o governo do presidente Donald Trump impor tarifas abrangentes sobre ‌produtos brasileiros.
Ele é amplamente visto como um moderado com forte trânsito junto ao empresariado, embora ‌críticos afirmem que sua influência acabou ofuscada no atual mandato de Lula por políticas consideradas por muitos como fundamentalmente inclinadas à esquerda.
Lula chegou a considerar Alckmin para o comando da economia em 2022, ‌mas acabou escolhendo o petista ‌Fernando Haddad para o posto após vencer as eleições no segundo turno.
Agora, na tentativa de reeleição, Lula terminou o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e aliado de Trump, contrariando a maior parte das pesquisas, que apontavam uma liderança apertada do atual presidente.
O resultado, somado à eleição de um Congresso majoritariamente de direita, desencadeou um forte rali dos mercados nesta segunda-feira, diante da avaliação de investidores de que um eventual governo Bolsonaro teria mais condições de promover um ajuste fiscal mais rápido e com maior base ‌de apoio parlamentar.
Desde o início do atual mandato de Lula, a dívida bruta do país subiu mais de 10 pontos percentuais do Produto Interno Bruto (PIB), para 82,9% -- um dos principais pontos de vulnerabilidade do presidente apesar da inflação abaixo da média histórica, do crescimento econômico acima do esperado, do desemprego em mínimas históricas e do avanço dos salários reais.
Em discurso após a divulgação do resultado no domingo, Lula sinalizou a importância de Alckmin para sua estratégia de segundo turno ao declarar que "ninguém neste país tem autoridade moral para falar de política fiscal e seriedade fiscal pra mim e para o Alckmin, pelo que ele fez no Estado de São Paulo e pelo que nós fizemos no Brasil".
Segundo as fontes, alocar Alckmin na Fazenda poderia ajudar a atrair eleitores preocupados com a credibilidade fiscal, mas que relutam em apoiar Flávio e vêm demonstrando frustração com o que consideram uma guinada cada vez mais populista do governo Lula.
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