Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) disputam o segundo turno das eleições pela Presidência da República

5 out 2026 - 09h57

Compartilhar

- Por: Isabella Lima

- Por: Beatriz Araujo

Flávio Bolsonaro diz estar ‘satisfeito’ com resultado do 1º turno: ‘É o fim da era do PT’:

Flávio Bolsonaro (PL) ficou numericamente à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno das eleições presidenciais e, agora, eles seguem em campanha por mais três semanas até o segundo turno do pleito, quando os eleitores brasileiros irão definir qual dos dois será o novo Presidente da República. O cenário, apesar de acirrado, é de mais facilidades para Flávio --considerando que haja uma migração natural de votos dos demais candidatos de direita para ele. Mesmo assim, ele tem como desafios manter seu eleitorado motivado e confrontar diretamente o seu adversário enquanto é citado em investigações, apontam cientistas políticos ao Terra.

Quiz eleitoral: faça o teste e descubra com qual programa presidencial de governo você mais se identifica

- Eleições 2026: confira como foi a apuração e saiba quais candidatos foram eleitos

Flávio teve 47,03% (56.104.422) dos votos neste domingo, 4, enquanto o presidente Lula (PT) recebeu 45,16% (53.878.385). Na avaliação dos especialistas, a segunda etapa da eleição muda as condições da disputa. Com apenas dois candidatos, menos candidaturas concorrendo simultaneamente e maior exposição dos adversários em debates e no horário eleitoral, o eleitor terá contato mais direto com os projetos e com o histórico de Lula e Flávio.

Flávio em primeiro discurso após a apuração de votos do primeiro turno neste domingo, 4

Foto: WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO

“O desafio de Flávio é manter seu eleitor ativo, empenhado. Conquistar mais alguns é fundamental. É importante fazer com que essas pessoas vão votar”, avalia Guilherme Mazieiro, consultor executivo da Oficina Consultoria, ao Terra Eleições.

Nesse primeiro turno, as pessoas que não foram votar, ou votaram em branco ou nulo, somaram 24,63% do eleitorado na disputa presidencial. Foram 39,4 milhões de votos “perdidos” e que, agora, os candidatos terão que batalhar para que sejam revertidos para os seus lados.

“É natural que parte desses votos ali da turma do andar de baixo, do Renan Santos, do Zema, do Caiado, do Augusto Cury, migrem para o Flávio. A gente tem ali eles todos no campo da direita. [...] O Flávio deve ter um pouco mais de facilidade nessa conta e, politicamente, o desafio me parece conseguir levar o eleitor para as urnas”, complementa Mazieiro.

Flávio terá de sair da 'bolha' bolsonarista

Clima na equipe de Lula é de surpresa e tristeza, mas campanha aposta em virada no segundo turno:

Para conquistar os votos dos demais candidatos de direita e, também, dos que se abstiveram ou votaram branco ou nulo, Flávio precisa adotar uma postura mais próxima do centro ideológico, avalia Lucas Massimo, coordenador do Bacharelado em Ciência Política da Uninter.

“O principal desafio de Flávio não é muito diferente do candidato Lula, é convencer o eleitor indeciso. E para convencer o eleitor indeciso, ele tem que só sair da sua bolha, isto é, ele tem que deixar de falar para o segmento mais radicalizado da base bolsonarista”, diz.

O movimento, porém, traz um dilema para a campanha. De acordo com Massimo, uma mudança muito acentuada em direção ao centro pode reduzir a identificação com parte do eleitorado mais radicalizado.

“Se o Flávio muda em demasia o seu viés para o centro, ele pode perder as franjas da extrema direita”, acrescentou.

Debates colocam histórico dos candidatos no centro
Flávio Bolsonaro e Lula vão disputar o 2º turno na disputa à presidência; especialistas analisam:
Com apenas dois nomes na disputa, se espera que o segundo turno concentre confrontos diretos entre Lula e Flávio – algo que não aconteceu no primeiro turno, marcado por debates esvaziados. Para Roberto Gondo, professor de Comunicação Política no curso de Publicidade e Propaganda da Universidade Mackenzie, esses momentos de debates diretos entre os dois candidatos podem atingir diretamente a imagem e a credibilidade de Flávio Bolsonaro na migração dos eleitores para o seu voto.
Segundo o professor, Flávio poderá ser questionado nos debates e na propaganda sobre denúncias que atingiram seu entorno político e sobre episódios relacionados à sua atuação pública, como o envolvimento do senador com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, de quem recebeu alta quantia de dinheiro para financiar o filme ‘Dark Horse’, que conta a trajetória política de seu pai.
Gondo também avalia que fatores circunstanciais podem alterar a disposição do eleitorado durante a campanha. Massimo segue linha semelhante ao apontar que, diante de uma campanha em que os projetos de país não teriam ocupado o centro da discussão, acontecimentos pontuais podem influenciar a decisão dos eleitores.
“Um escândalo, uma notícia, uma postura mal colocada em um debate, elementos de caráter circunstancial podem promover essa mudança”, diz Massimo.
Questão religiosa pode voltar ao centro da campanha
Outro ponto mencionado pelos especialistas é a controvérsia envolvendo a imagem de Nossa Senhora Aparecida e o eleitorado evangélico. Para Gondo, o episódio pode ganhar novo espaço em uma disputa mais polarizada e com apenas dois candidatos.
“Começa a esquentar um discurso onde nós vamos ter múltiplas abordagens e múltiplos ataques à reputação”, afirmou.
O tema se soma a outros episódios que podem ser explorados pelas campanhas na tentativa de mobilizar seus respectivos eleitorados e alcançar segmentos que ainda não definiram o voto.
Para Massimo, o desafio de Flávio será justamente equilibrar movimentos para além de sua base com a manutenção da identidade que o levou ao segundo turno. A campanha terá, portanto, de lidar simultaneamente com a necessidade de ampliar o eleitorado e com o risco de perder parte do apoio mais fiel caso altere excessivamente o discurso.
“Um ponto interessante que tem acontecido nessa reta final de campanha é a postura de Renan Santos, do ponto de vista contrário a Flávio Bolsonaro. E isso é interessante porque esse eleitor do Renan pode ficar sem opções para um segundo turno, tornando os votos válidos dentro desse percentual muito mais estratégicos para a candidatura da frente ampla petista”, analisa Gondo.
Candidato terá de apresentar projeto próprio
Além da ampliação da base, Massimo aponta outro desafio para Flávio: apresentar com mais clareza o que pretende fazer caso eleito. Na avaliação do cientista político, a dificuldade está na necessidade de diferenciar o candidato de seu antecessor e, ao mesmo tempo, preservar a identificação com o grupo político do pai.
“Eu acho que a principal dificuldade para o candidato Flávio Bolsonaro em um segundo turno é a incipiência do seu projeto de governo”, afirma.
Segundo Massimo, as propostas apresentadas até aqui foram marcadas por temas considerados circunstanciais, enquanto Lula teria uma plataforma política conhecida pelos eleitores há décadas. “Ele ainda tem o passivo do pai, que foi o primeiro presidente da República que não se reelegeu”, diz.
Para o especialista, a associação com Jair Bolsonaro é importante para manter o apoio da parcela mais fiel do eleitorado, mas pode criar uma dificuldade adicional quando Flávio precisar se apresentar como uma alternativa própria.
“Essa associação que é indispensável para garantir o apoio da base radicalizada, a associação ao pai, ela pode representar um esvaziamento da sua novidade”, afirma. “Por que as pessoas podem questionar: ‘para que você quer ser candidato à Presidência da República, se nós já conhecemos o seu pai?’”, aponta o cientista político.
Fonte: Portal Terra
Compartilhar
TAGS
Eleições Notícias
