Demétrio Vecchioli

Só igreja de RR Soares e Assembleia de Deus do Brás viram nove candidatos serem derrotados em SP e no RJ

Demétrio Vecchioli

05/10/2026 09:37

Divulgação
A onda bolsonarista que varreu o país nas eleições deste domingo (4/10) fez como vítimas também os representantes institucionais de algumas das maiores denominações evangélicas do país, substituídos, nas urnas, por candidatos que, ainda que se apresentam como evangélicos, mas não têm compromisso institucional com as igrejas que frequentam.
Duas denominações representam o fracasso eleitoral histórico. O pastor RR Soares, da líder da Igreja Internacional da Graça de Deus, tinha quatro filhos buscando a reeleição. Nenhum conseguiu novo mandato. Já o pastor Samuel Ferreira, do Ministério de Madureira da Assembleia de Deus do Brás, pretendia eleger quatro deputados só em São Paulo e ficou sem nenhum.
Até Cezinha de Madureira (PL), deputado federal da AD Brás e bastante próximo ao ministro André Mendonça do Supremo Tribunal Federal (STF), não conseguiu se reeleger. Ele teve 60.596 votos e ficou em 21º lugar entre os candidatos do PL, que elegeu 19 deputados federais em São Paulo. Como segundo suplente, é possível que ele acabe assumindo um mandato durante a legislatura. Por enquanto, está sem mandato.
Como mostrou a coluna, o Ministério de Madureira da AD Brás dividiu São Paulo ao meio com um plano ousado de eleger dois deputados federais e dois estaduais sem necessariamente ampliar a votação obtida em 2022. O plano deu completamente errado não só pela divisão, mas principalmente porque os votos encolheram.
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Na corrida para uma cadeira na Assembleia Legislativa Oseias de Madureira (PL) teve 42 mil votos e, Elias de Madureira (PL), 32 mil. Na eleição de 2022, Oseias teve 137 mil votos – ele fez uma campanha menos intensa desta vez, porque está se tratando de uma doença. Rogério de Madureira (PL), que dobrava com Alex e concorria a federal, teve 31 mil votos como candidato da AD Brás no interior.
Também candidata institucional da igreja, a vereadora Pastora Sanda Alves (União) é mais uma que não se elegeu – ela pelo menos é a primeira suplente para deputada federal da Federação União Progressista.
O único “Madureira” eleito não tem mais relação com a igreja do Pastor Samuel Ferreira: Alex Madureira deixou de ser “de Madureira” depois de se afastar da denominação e viu sua votação quase dobrar. Fez 122 mil votos para deputado estadual pelo PL e manteve a cadeira na Alesp.
RR Soares perde quatro mandatos
Mas o caso da Ad Brás está longe de ser isolado. RR Soares tinha dobradinhas entre irmãos em São Paulo e no Rio. Mas também viu todos os quatro filhos perderem seus mandatos. David RR Soares ficou só em décimo na lista do Podemos, que fez seis deputados federais em SP. Daniel Soares terminou em 14º na chapa da federação entre Progressistas e União Brasil, que elegeu nove deputados.
No Rio de Janeiro a situação foi ainda pior. Concorrendo pelo PSDB, Felipe RR Soares é o segundo suplente do único deputado estadual da federação com o Cidadania, enquanto Marcos RR Soares é o terceiro suplente de um partido que terá quatro deputados federais.
André RR Soares e seu primo Marcelo Crivella também passaram longe de se elegerem para o Senado pelo Republicanos. O ex-prefeito do Rio teve somente 3,39% dos votos e pelo menos foi melhor do que Waguinho (0,73%), que tinha André como primeiro suplente.
A Igreja Universal do Reino de Deus conseguiu reeleger Marcos Pereira, presidente nacional do Republicanos, como deputado federal em São Paulo. Mas Edna Macedo (Republicanos), irmã do bispo Edir Macedo, perdeu seu mandato e será quinta suplente do Republicanos na Assembleia Legislativa.
Outra igreja que tentou dividir votos e fracassou foi a Igreja do Evangelho Quadrangular. Depois de ter 180 mil votos com o pastor Carlos Cezar, que se tornou conselheiro do TCE, a igreja optou por duas candidaturas para a Alesp, ambas pelo PL. Nem Lucas Flores (52 mil votos) nem Suéli Gonçalves (44 mil votos) entraram. Eles são o quarto e o sexto suplentes, respectivamente. Jefferson Campos entrou e vai cumprir seu sétimo mandato em Brasília.
Melhor sorte teve o Ministério do Belém da Assembleia de Deus. O pastor José Wellington, líder da denominação, consegui tanto reeleger a filha, a deputada estadual Marta Costa (PSD), quanto o deputado federal Paulo Freire (PL), ambos em São Paulo.
A onda, porém, não ficou restrita a São Paulo e Rio de Janeiro. Silas Câmara (Republicanos-AM), deputado de sete mandatos e ligado ao Ministério de Belém, ficou como primeiro suplente do único deputado eleito pelo partido no Amazonas. Fran Bayer (Republicanos-RS), outra candidata institucional da Ad Brás, também não se reelegeu: é segunda suplente de uma bancada de dois membros.
