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O Papa Leão XIV voltou a alertar para os riscos da inteligência artificial e defendeu regras globais para supervisionar a tecnologia. O Vaticano vê possíveis ameaças à segurança, à paz internacional e à convivência social.

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O pontífice trata do assunto desde os primeiros dias de seu papado. Segundo a Reuters, nesta sexta-feira, deve abordar novamente a questão em um discurso na sede da Unesco, em Paris.

O Vaticano reforça a urgência de estabelecer regras globais e rígidas para o desenvolvimento da inteligência artificial. – Imagem: Summit Art Creations/Shutterstock

Um alerta que começou antes de Leão

A preocupação do Vaticano com a inteligência artificial não começou com o atual pontífice. Em 2019, a Santa Sé promoveu duas conferências sobre os possíveis riscos da tecnologia. Em uma delas, o então Papa Francisco alertou que a desinformação espalhada por sistemas de IA poderia contribuir para uma guerra mundial.

No ano seguinte, o Vaticano se juntou à Microsoft, à IBM, à Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e ao governo italiano em um apelo por uma inteligência artificial que não tivesse como único objetivo ampliar lucros ou substituir gradualmente trabalhadores.

Leão retomou a discussão em maio. Em seu primeiro grande documento, pediu aos líderes mundiais regras internacionais para supervisionar o setor. Também afirmou que sistemas de IA poderiam espalhar desinformação, priorizar conflitos e conduzir o mundo a um caminho de guerras intermináveis.

Na quinta-feira, durante um encontro da Pontifícia Academia das Ciências, o Papa afirmou que a inteligência artificial pode beneficiar a humanidade, mas também criou “novos perigos para a segurança e a paz internacional”. Ele pediu aos líderes globais que “governem com sabedoria”.

A trajetória das discussões no Vaticano envolve diferentes frentes:

- regras internacionais para supervisionar o desenvolvimento da inteligência artificial;

- preocupação com desinformação e possíveis impactos sobre a convivência social;

- atenção especial ao uso da tecnologia em sistemas de armas;

- defesa de uma IA que não tenha como único objetivo ampliar lucros ou substituir trabalhadores;
- diálogo com governos, organizações internacionais e empresas do setor.
Armas autônomas estão no centro da preocupação
O desenvolvimento de sistemas de armas é um dos pontos que mais preocupam o Vaticano. Na encíclica de maio, Leão afirmou que essas tecnologias avançaram “praticamente além de qualquer capacidade humana de governá-las”.
O padre Paolo Benanti, conselheiro do Vaticano para questões de inteligência artificial, comparou drones equipados com IA a minas terrestres, por causa do potencial de atingir alvos de forma indiscriminada. Ao explicar os possíveis impactos da tecnologia, ele afirmou que “o poder transformador da IA … pode produzir uma magnitude de mudanças sociais que são muito difíceis de prever”.
Benanti também comparou os riscos da IA aos das armas nucleares. Segundo ele, armamentos nucleares precisam ser armazenados em instalações específicas e podem ser contabilizados e controlados. A inteligência artificial, por outro lado, é muito menos visível.
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O diálogo entre autoridades e cientistas busca encontrar caminhos seguros para o futuro do desenvolvimento tecnológico. – Imagem: Infinite Creations/iStock
Vaticano também dialoga com empresas
O cardeal Pietro Parolin, principal diplomata do Vaticano, reforçou na semana passada a defesa de uma regulamentação internacional. Em um evento em Roma, afirmou que os países não podem lidar sozinhos com a tecnologia. “O futuro da humanidade está realmente em jogo aqui”, disse Parolin, defendendo o envolvimento de todos na criação de regras comuns.
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O diálogo com o setor privado também já começou. Chris Olah, cofundador da Anthropic, participou do lançamento do documento de maio. Benanti explicou à Reuters que algumas conversas com empresas são conduzidas localmente por bispos, devido à estrutura descentralizada da Igreja.
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Em 16 de setembro, a Conferência dos Bispos dos Estados Unidos anunciou uma nova força-tarefa sobre inteligência artificial, depois que vários de seus líderes se reuniram com executivos do setor. A iniciativa busca discutir maneiras de manter a tecnologia a serviço da humanidade e enfrentar os riscos que ela apresenta.
Valdir Antonelli
Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.
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Tags: Inteligência Artificial Papa Leão XIV Riscos da IA Vaticano

