Tácio Lorran

Montagem de imagens mostra Mario Frias (à esquerda) e Pôster do filme sobre Jair Bolsonaro (à direita) - Metrópoles
Montagem de imagens mostra Mario Frias (à esquerda) e Pôster do filme sobre Jair Bolsonaro (à direita) - Metrópoles · Imagem: Bruno Spada/Câmara dos Deputados; Divulgação

Comprovantes de transferências remetidos pela produtora de Dark Horse à PF mostram pagamentos em benefício de assessores de Mario Frias

Imagem colorida mostra comprovante em beneficio de empresa de mãe de assessora de Mario Frias | Metrópoles
Imagem colorida mostra comprovante em beneficio de empresa de mãe de assessora de Mario Frias | Metrópoles · Imagem: Source: www.metropoles.com

Mateus Salomão

Produtora de Dark Horse pagou assessores de Mario Frias durante gravações
Produtora de Dark Horse pagou assessores de Mario Frias durante gravações · Imagem: Source: www.metropoles.com

14/09/2026 16:14

Produtora de Dark Horse pagou assessores de Mario Frias durante gravações
Produtora de Dark Horse pagou assessores de Mario Frias durante gravações · Imagem: Source: www.metropoles.com

Bruno Spada/Câmara dos Deputados; Divulgação

Assessores lotados no gabinete do deputado federal Mario Frias (PL-SP) foram beneficiados com pagamentos da produtora GO Up Entertainment durante as gravações do filme Dark Horse, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Comprovantes de pagamento mostram que a assessora parlamentar Rareska Metsker foi beneficiária de R$ 24,8 mil despendidos pela produtora. Desse total, R$ 14,8 mil foram pagos à empresa da mãe dela por serviços de “videomaker”. A descrição das notas é clara ao dizer que o pagamento foi feito por serviços prestados por Rareska, o que indica que ela usava a genitora como testa de ferro.

O montante inclui ainda a estadia de Rareska no hotel Ibis Budget localizado na Vila Mariana, em São Paulo (SP). Nota fiscal aponta que ela teve custeada estadia de 21 de outubro a 7 de dezembro do ano passado, ao custo de R$ 9,4 mil.

Recibo de transferência aponta ainda que ela recebeu uma transferência de R$ 619,16 referente ao reembolso por uma diária em hotel na capital paulista em outubro de 2025.

Os pagamentos ocorreram entre outubro e dezembro do ano passado, ocasião em que o filme foi gravado no Brasil. Como havia mostrado a coluna de Demétrio Vecchioli, do Metrópoles, em maio, Rareska prestou serviços para o filme Dark Horse durante ao menos sete semanas enquanto era remunerada pela Câmara.

A prestação de contas também aponta o pagamento de Pix de R$ 404,32 a Luiz Claudio Faria Velloso, que também é assessor de Mario Frias na Câmara dos Deputados. Na última semana, ele foi alvo de mandado de busca e apreensão por determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).

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Os comprovantes constam em documentos enviados pela defesa da GO Up e de sua representante legal, Karina Ferreira da Gama, enviados à Polícia Federal (PF) no início deste mês. Os documentos, que constam em inquérito de relatoria do ministro André Mendonça, do STF, tiveram o sigilo levantado por decisão do magistrado.

A coluna entrou em contato com o gabinete de Mario Frias, com os assessores citados e com Karina Gama, mas não houve retorno. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.

Rareska, assessora de Mário Frias, trabalhou em filme Dark Horse

Dark Horse investigado

O filme Dark Horse é alvo de dois inquéritos que tramitam no STF. Um deles, sob relatoria de Mendonça, apura o repasse de dinheiro do Banco Master para financiar a produção. Outro, sob responsabilidade de Flávio Dino, apuro a uso de emendas parlamentares no longa.

Na última sexta-feira (14/9), o ministro André Mendonça atendeu ao pedido do presidente da Corte, Edson Fachin, e retirou o sigilo de parte da investigação sobre o Caso Master. A medida se estendeu à investigação relacionada ao Dark Horse.

Com a retirada do sigilo, veio a publico a informação de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, é investigado no inquérito que investiga os repasses que totalizam R$ 61 milhões feitos por Daniel Vorcaro, dono Banco Master, para a produção do filme.

Na última semana, o magistrado homologou. o acordo de delação premiada do empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, mais conhecido como “Mineiro”. Mineiro é dono da Entre Investimentos, empresa usado por Vorcaro para fazer os repasses ao Dark Horse.

No domingo (13/9), o ministro Flávio Dino determinou quebra do sigilo do inquérito que tramita na Corte a respeito do filme Dark Horse. Como mostrou a coluna de Manoela Alcântara, ao quebrar o sigilo, Dino pontuou que é preciso prevenir “vazamentos seletivos”.

Também na última semana, a PF deflagrou operação que teve como alvo o deputado Mario Frias e a empresária Karina da Gama, sócia da Go Up Entertainment, produtora de Dark Horse. A Operação Make Up cumpriu 49 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Ceará.