A maneira de contar uma experiência feliz, uma fase difícil ou uma mudança importante pode revelar traços associados à psicopatia. Um estudo publicado em julho na revista Personality and Individual Differences identificou relações entre as características de personalidade e as palavras escolhidas pelas pessoas para escrever sobre a própria vida.A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade do Mississippi, nos Estados Unidos, com 307 universitários e 144 adultos que já haviam passado pelo sistema prisional. Os participantes responderam a um questionário e escreveram sobre três experiências: um ponto alto, um ponto baixo e um momento de virada. Leia também SaúdeBactérias intestinais podem ter relação com traços de psicopatia SaúdePsiquiatra explica por que tratamento da psicopatia é tão difícil SaúdePsiquiatra explica se agressão a animais pode ser sinal de psicopatia São PauloPai que matou filhas de 3 e 5 anos já foi solto por bom comportamento O questionário avaliou três dimensões da psicopatia: ousadia, insensibilidade e desinibição. Ao comparar as pontuações com os relatos, os pesquisadores encontraram padrões específicos para cada característica, que também variaram conforme a experiência narrada.O que apareceu nos textosEntre os indíviduos com diagnóstico de psicopatia, a desinibição apresentou as relações mais marcantes com a linguagem. Participantes com pontuações maiores nessa dimensão fizeram menos referências a resultados positivos nos três tipos de relato. Também usaram uma linguagem mais negativa ao descrever momentos felizes e de virada, mas o padrão não apareceu ao contar os pontos baixos da vida. As diferenças observadas para cada traço foram:Ousadia: esteve associada ao uso menos frequente de palavras ligadas à ansiedade, como “medo”, “preocupação” e “nervoso”.Insensibilidade: esteve relacionada a menos palavras de emoção negativa, como “ódio” e “mágoa”, nos relatos sobre momentos de virada.Desinibição: além do tom mais negativo em momentos felizes e de mudança, esteve associada a mais referências a substâncias, como bebidas alcoólicas, nos relatos de pontos baixos e de virada.A experiência narrada faz diferençaOs achados mostram que a linguagem associada a traços de psicopatia pode carregar emoções e significado pessoal. O padrão depende tanto da característica avaliada quanto do contexto: uma pessoa pode, por exemplo, usar mais palavras negativas ao narrar uma experiência positiva.O objetivo da pesquisa foi compreender como os traços aparecem na escrita, sem transformar palavras isoladas em um diagnóstico. A conclusão é que características de personalidade estão relacionadas à forma como as pessoas contam e dão sentido a acontecimentos da própria vida.








