O Álbum de Höcker (ou Álbum de Hoecker) é uma coleção de fotografias que acredita-se ter sido reunida por Karl-Friedrich Höcker, um oficial da SS durante o regime nazista alemão. Contém mais de cem imagens da vida e das condições de vida dos oficiais e administradores que dirigiam o complexo de campos de concentração de Auschwitz-Birkenau. O álbum é uma coleção de fotografias indispensável do Holocausto, encontrando-se atualmente nos arquivos do Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos (USHMM) em Washington, D.C.

Descoberta Segundo o museu onde se encontra guardado, o álbum de fotografias foi encontrado por um oficial de contraespionagem americano não identificado, que estava alojado em Frankfurt após a rendição da Alemanha, em 1945. Este oficial descobriu as fotografias num apartamento, e quando regressou aos Estados Unidos, levou o mesmo consigo. Em janeiro de 2007, o oficial americano doou o álbum ao USHMM, com o pedido de que a sua identidade não fosse revelada ao público. As legendas das fotografias e as pessoas retratadas nas imagens do álbum confirmaram que o mesmo retrata a vida no interior e ao redor dos campos de Auschwitz. A primeira fotografia é um retrato duplo de Richard Baer, comandante do campo de Auschwitz entre 1944 e 1945, e seu ajudante, o oficial Karl Höcker.

Conteúdo O álbum contém um total de 116 fotografias, todas em preto e branco, a sua maioria retratando oficiais alemães. Acredita-se que tenha pertencido a Höcker, pois ele aparece em muito mais imagens do que qualquer outro indivíduo representado. Na página de título, abaixo de uma foto de Höcker e Baer, está escrito: "Com o Comandante SS Stubaf. Baer, Auschwitz 21.6.44", desta forma identificando Höcker como o proprietário do álbum. Ele também é a única pessoa no álbum a aparecer sozinha em qualquer uma das imagens. Algumas das imagens retratam eventos formais, como funerais militares e a inauguração de um novo hospital. Elas também incluem imagens dos oficiais do campo relaxando em um retiro para a equipe, conhecido como Solahütte, um alojamento rústico a cerca de 32 quilômetros do campo. Diversas fotografias mostram oficiais relaxando com a companhia de jovens mulheres. Estas, estenógrafas e datilógrafas, eram treinadas na escola da SS em Obernai, geralmente conhecidas como SS Helferinnen, a palavra alemã para "ajudantes femininas".

Fotografias de Mengele

Os dois comandantes mais conhecidos do campo, Richard Baer e Rudolf Höss, são visíveis em algumas das fotografias. Josef Mengele, conhecido pelos prisioneiros como o "Anjo da Morte", era um médico formado que dirigia experiências médicas em crianças gêmeas no campo. Ele participava regularmente da "seleção" na plataforma de chegada do comboio ao campo, decidindo que prisioneiros seriam executados imediatamente e quais teriam permissão para viver e realizar trabalhos escravos dentro do local. Ao todo, a coleção doada contém oito fotografias que o retratam. Antes da doação do álbum ao museu, não se conheciam imagens dele na região do campo de concentração. As fotografias de Mengele foram todas tiradas no resort Solahütte. Essas fotografias indicam ter sido tiradas a 29 de julho de 1944, para homenagear o fim do segundo mandato de Höss como comandante-chefe da guarnição do campo. Outros oficiais retratados nessas comemorações ao lado dos já mencionados incluem Josef Kramer, Franz Hoessler, Walter Schmidetzki, Anton Thumann, Otto Moll e Max Sell.

Momento das fotografias As fotografias do Álbum de Höcker são consideradas especialmente arrepiantes devido ao período em que foram produzidas, entre junho e dezembro de 1944. Historiadores observaram que este período coincide com o extermínio em massa de centenas de milhares de judeus húngaros na primavera e verão de 1944, um evento conhecido como "o Transporte Húngaro". Judeus da Hungria foram reunidos e enviados para Auschwitz após a invasão do país pelos nazistas, em março de 1944. Tantos judeus húngaros foram mortos nos campos de Auschwitz durante este período que os crematórios não conseguiam queimar todos os corpos, sendo necessário cavar valas comuns para acomodar os corpos. Rebecca Erbelding, a arquivista do museu americano que recebeu o álbum do doador, foi a primeira a reconhecer a sua importância no contexto das ações nazistas. Numa entrevista, Erbelding afirmou que “o álbum lembra-nos que os perpetradores do Holocausto eram seres humanos, homens e mulheres com famílias, filhos e animais de estimação, que celebravam feriados e tiravam férias. Estas pessoas eram seres humanos... e estas fotografias lembram-nos do que os seres humanos são capazes quando sucumbem ao antissemitismo, ao racismo e ao ódio.” Höcker casou-se antes do conflito se iniciar e teve um filho e uma filha durante o mesmo, com quem se reencontrou após ser libertado de um campo de prisioneiros de guerra britânico em 1946, onde passou 18 meses após a queda do regime nazista. No início da década de 1960, foi detido pelas autoridades da Alemanha Ocidental na sua cidade natal, onde trabalhava como funcionário de um banco, devido à sua ligação com o genocídio no campo. Em seu julgamento em Frankfurt, parte dos notórios julgamentos de Auschwitz em Frankfurt, Höcker negou ter participado da seleção de vítimas em Birkenau, ou ter executado pessoalmente um prisioneiro. Ele também negou ter conhecimento do destino dos aproximadamente 400.000 judeus húngaros assassinados em Auschwitz durante o seu serviço no campo. Durante o julgamento, ficou comprovado que Höcker tinha conhecimento das atividades genocidas do complexo de campos, mas não foi possível provar que ele tinha participado diretamente nestas ações. Nos julgamentos do pós-guerra, Höcker negou novamente o seu envolvimento no processo de seleção. Embora relatos de sobreviventes e outros oficiais da SS praticamente o colocassem como um dos participantes no processo, os promotores não conseguiram encontrar provas conclusivas para comprovar a alegação. Em agosto de 1965, Höcker foi condenado a sete anos de prisão por cumplicidade em mais de 1.000 assassinatos em Auschwitz. Ele foi libertado em 1970 e pode retornar ao seu cargo no banco como chefe de caixa, onde trabalhou até se aposentar. Não se sabe por que o banco o contratou e promoveu após um longo período de ausência, durante o qual não exerceu nenhuma atividade bancária. Em 3 de maio de 1989, um tribunal distrital da cidade alemã de Bielefeld condenou Höcker a mais quatro anos de prisão por seu envolvimento no extermínio de prisioneiros, principalmente judeus poloneses, no campo de concentração de Majdanek, na Polônia. Os registros do campo mostraram que, entre maio de 1943 e maio de 1944, Höcker havia adquirido pelo menos 3,610kg de gás venenoso Zyklon B, para uso em Majdanek, através da empresa Tesch && Stabenow, de Hamburgo.

Veja também Álbum de Auschwitz Fotografias do Sonderkommando Wilhelm Brasse

Referências

Ligações Externas Galeria online do Museu Memorial do Holocausto dos EUA, com fotografias do Álbum Höcker. In the Shadow of Horror, Auschwitz SS Guardians Frolic. do projeto Holocaust Survivors and Remembrance: "Forget You Not" Álbum de fotos de nazi revela a vida de um alto oficial de Auschwitz | 60 Minutes Revista New Yorker: A verdade arrepiante ilustrada em "Aqui há mirtilos"